“Parece que estou em um filme”
“Parece que estou em um filme.”
A frase foi dita por uma moradora que visitava o novo ponto de ônibus humanizado inaugurado neste fim de semana no Centro de Cotia. Eu mesma conversei com ela ao produzir o texto para o site institucional da Prefeitura. Ela caminhava pelo espaço observando cada detalhe quando soltou a observação, simples e espontânea.
Confesso que a frase ficou ecoando na minha cabeça.
Não porque o ponto tenha sido construído em Hollywood. Nem porque alguém espere encontrar super-heróis embarcando no ônibus da linha Caucaia-Centro.
A frase chamou atenção por outro motivo.
Ela revela o quanto nos acostumamos a esperar pouco das cidades.
Esperamos pouco das calçadas.
Esperamos pouco das praças.
Esperamos pouco dos pontos de ônibus.
Esperamos pouco dos prédios públicos.
Esperamos tão pouco que, quando alguma coisa foge do padrão da precariedade, a sensação é de estranhamento.
Como se aquilo não pertencesse à nossa realidade.
Como se conforto, acessibilidade, segurança e acolhimento fossem privilégios reservados a outros lugares, outras cidades, outros países.

A verdade é que um ponto de ônibus deveria ser apenas isso: um lugar confortável e seguro para esperar o transporte.
Mas quem usa transporte coletivo sabe que, na prática, muitas vezes significa enfrentar chuva, sol, calor, frio, falta de informação e longos minutos olhando para a rua enquanto a vida passa.
Talvez por isso o novo equipamento tenha atraído tanta gente no sábado.
Nem todos estavam ali para pegar ônibus.
Muitos foram apenas conhecer.
Ver de perto.
Entender se era verdade.
Sentar um pouco.
Olhar ao redor.
Tirar uma foto.
Experimentar aquela sensação rara de encontrar um espaço público que parece ter sido pensado para as pessoas.
Nem me importa tanto saber se é o mais moderno do Brasil. Essas disputas de ranking costumam envelhecer rápido.
Mas sei que ele provocou algo importante: fez as pessoas conversarem sobre a cidade.
E toda cidade melhora um pouco quando seus moradores voltam a acreditar que ela pode ser melhor.
No fim das contas, talvez o comentário da moradora não fosse sobre o ponto de ônibus.
Talvez fosse sobre esperança.
Porque às vezes basta um banco limpo, uma sombra agradável, um lugar acessível e um pouco de cuidado para que alguém olhe ao redor e pense:
“Parece que estou em um filme.”
Quando, na verdade, deveria parecer apenas que estamos em uma cidade que funciona.
O ponto de ônibus Humanizado e Inclusivo de Cotia
Instalado na Avenida Professor José Barreto, o equipamento reúne tecnologia e serviços que transformam o tempo de espera pelo transporte coletivo em uma experiência mais acolhedora para os usuários. Climatizadores, mini biblioteca, Wi-Fi gratuito, carregadores para celular, espaço sensorial, acessibilidade para pessoas com deficiência e monitoramento 24 horas estão entre os recursos disponíveis no local.
O Ponto Humanizado Inclusivo foi projetado para atender diferentes perfis de usuários, oferecendo recursos que promovem conforto, acessibilidade e inclusão.
Entre os diferenciais estão climatizadores, mini biblioteca, telão de LED, televisores, Wi-Fi gratuito, carregadores de celular com entradas USB e Tipo C, som ambiente, coleta seletiva, espaço reservado para pessoas com deficiência, piso tátil para deficientes visuais e bebedouro acessível.
O equipamento também conta com o programa Cotia com Sinais, que possibilita atendimento em Libras por meio de videochamada, ampliando a inclusão da comunidade surda.
Outro destaque é o espaço sensorial destinado a pessoas neurodivergentes, equipado com painel sensorial pensado para oferecer acolhimento e conforto a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições.
A segurança também recebeu atenção especial. O local possui totem de emergência e 11 câmeras de monitoramento internas e externas integradas à Central de Monitoramento da Guarda Civil Municipal, com funcionamento 24 horas por dia.
A obra foi executada por meio de uma contrapartida urbanística da empresa Nova Cotia Empreendimentos Imobiliários SPE Ltda., no valor de R$ 672.364,36.
O mecanismo está previsto na Lei Municipal nº 95/2008 (Plano de Zoneamento Municipal), que permite que empreendimentos imobiliários realizem obras, equipamentos ou melhorias de interesse público como compensação ao município.
Segundo a Prefeitura, a medida possibilita a realização de investimentos que beneficiam diretamente a população sem impacto financeiro para o orçamento municipal.
Fotos: Juliano Barbosa


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