Eleições 2026: Cotia vira o jogo e contribui para virada histórica de Lula
Com vitória por apenas 3.569 votos, presidente reeleito reverteu a vantagem de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Resultado expõe divisão do eleitorado e coloca em discussão a influência das lideranças políticas locais.
As urnas de Cotia deram uma resposta que merece ser analisada além dos números. Depois de terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) virou o jogo e venceu a eleição presidencial no município, com 51,20% dos votos válidos, contra 48,80% do adversário, acompanhando o resultado nacional.
Foram 76.363 votos para Lula e 72.794 para Flávio Bolsonaro. Uma diferença de apenas 3.569 votos, suficiente para garantir a vitória petista, mas também para revelar uma cidade politicamente dividida.
O resultado ganha ainda mais importância quando observado à luz dos apoios políticos locais. Flávio Bolsonaro reuniu nomes conhecidos da política municipal, como o vice-prefeito Paulinho Lenha, que, apesar de ter sido eleito ao lado de Formiga pelo PDT, partido historicamente ligado ao trabalhismo, sempre demonstrou posições conservadoras.
A lista de apoiadores do candidato do PL também incluía vereadores e influenciadores, como Lincoln Jr. e Lena Marques. E não podemos deixar de citar o ex-prefeito Rogério Franco, eleito deputado estadual pelo PL, partido de Flávio Bolsonaro.
Já o presidente Lula contou com o apoio do prefeito Welington Formiga e de um grupo menor de representantes do Legislativo, entre eles Silvio Cabral e Alexandre Frota.
Virada
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro foi o candidato mais votado em Cotia, com 65.331 votos (46,21%). Lula recebeu 59.084 votos (41,79%). A vantagem do candidato do PL era de 6.247 votos.
Três semanas depois, o cenário se inverteu.
Lula ganhou 17.279 votos em relação ao primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro ampliou sua votação em 7.463 votos. A diferença entre os dois candidatos mudou 9.816 votos a favor do petista.
Isso não significa que todos esses novos votos tenham vindo diretamente de eleitores de outros candidatos. A mudança também pode envolver eleitores que não compareceram no primeiro turno, além de alterações nos votos brancos e nulos.
O comparecimento, aliás, aumentou: passou de 150.089 para 155.264 eleitores entre os dois turnos. A abstenção caiu de 22,70% para 20,02%.
Os números mostram que a disputa mobilizou mais eleitores na reta final e que Lula conseguiu ampliar sua votação em ritmo superior ao adversário.
Vale destacar também a intensa mobilização do PT e de partidos de esquerda aliados nas redes sociais, com participação de artistas, personalidades públicas e nomes tradicionais da política, inclusive de setores da direita que se posicionaram contra a candidatura de Flávio Bolsonaro.
A disputa presidencial também expôs diferentes alinhamentos dentro da política de Cotia: prefeito e vice-prefeito, eleitos na mesma chapa municipal, estiveram em campos políticos opostos na eleição presidencial.
Isso mostra que alianças administrativas e preferências nacionais nem sempre caminham juntas.
E deixa uma lição para quem costuma contabilizar apoios políticos como se fossem votos garantidos: o eleitor tem suas próprias razões para escolher um candidato.
Outro dado importante impede interpretações apressadas sobre uma suposta transformação ideológica do município.
Cotia tem uma forte tradição conservadora, refletida, entre outros aspectos, na composição da Câmara Municipal, onde predominam representantes de partidos e correntes políticas de direita. A falta de representatividade feminina no Legislativo há mais de quatro décadas também merece atenção e revela uma dificuldade histórica de renovação política.
A vitória de Lula, portanto, não significa que Cotia tenha abandonado suas características políticas tradicionais. Mostra, sobretudo, que o eleitorado não pode ser reduzido a um único rótulo ideológico. Se é que podemos dizer que Cotia tenha alguma ideologia política.
A virada também aconteceu na região
Cotia não foi a única cidade da região oeste da Grande São Paulo a inverter o resultado entre os dois turnos.
Osasco e Jandira também deram a vitória a Flávio Bolsonaro no primeiro turno e terminaram o segundo com Lula à frente. Carapicuíba e Itapevi mantiveram a preferência pelo petista, enquanto Barueri e Santana de Parnaíba deram maioria ao candidato do PL.
Na Grande São Paulo, Lula passou de 14 municípios vencidos no primeiro turno para 21 no segundo, entre as 39 cidades da região metropolitana.
O resultado mostra que a região não votou de maneira uniforme. Municípios próximos, muitas vezes com problemas sociais e econômicos semelhantes, apresentaram comportamentos eleitorais diferentes.
Como votaram Cotia e as cidades do entorno
Resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Em negrito, o candidato vencedor.
| Município | Lula (PT) | Flávio Bolsonaro (PL) |
|---|---|---|
| Cotia | 76.363 (51,20%) | 72.794 (48,80%) |
| Osasco | 234.320 (52,36%) | 213.187 (47,64%) |
| Carapicuíba | 121.023 (55,41%) | 97.372 (44,59%) |
| Itapevi | 71.036 (56,64%) | 54.371 (43,36%) |
| Jandira | 31.446 (52,50%) | 28.452 (47,50%) |
| Barueri | 113.777 (49,30%) | 116.985 (50,70%) |
| Santana de Parnaíba | 38.704 (44,68%) | 47.920 (55,32%) |
| Embu das Artes | 94.154 (58,35%) | 67.200 (41,65%) |
| Itapecerica da Serra | 56.308 (57,96%) | 40.846 (42,04%) |
| Taboão da Serra | 100.912 (59,12%) | 69.764 (40,88%) |
Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Mas, afinal, quem ganhou politicamente com essa eleição? E até que ponto os apoios de prefeitos, vereadores e influenciadores realmente determinam o voto do eleitor?
Claro que temos que acreditar que independente de apoio político ou não, o presiente foi eleito para governar para todo o Brasil, inclusive para quem votou contra ele. Mas sabemos que na prática, apoio conta pontos. E dinheiro na conta dos municípios. “Agora Lula vai me ajudar a transformar nossa cidade”, delarou o prefeito em seu perfil no instagram. O prefeito, que iniciou sua carreira política no Partido dos Trabalhadores aos 17 anos e se formou em Direito com recursos do Prouni – Programa Universidade para Todos, falou da importância da vitória de Lula. “Estou fazendo de tudo para colocar a cidade nos strilhos, mas apenas com Lula será possível investimentos para asfaltar a cidade, revitalizar nossos prédios públiocos”.
O que eu penso
Mas é importante dizer: essa vitória nas urnas não foi simplesmente uma vitória de Lula ou do PT. FOI UMA VITÓRIA DO POVO BRASILEIRO!
Na minha leitura, foi um NÃO retumbante ao bolsonarismo, ao extremismo, ao fascismo, às milícias, ao machismo, à misoginia e àqueles que relativizam a violência, a barbárie e até o assassinato de crianças.
O Brasil deu sua resposta da maneira mais legítima e democrática que existe: PELO VOTO!
E deixou um recado que precisa ser ouvido dentro e fora das nossas fronteiras: O BRASIL NÃO É QUINTAL DOS ESTADOS UNIDOS, NEM DE QUALQUER OUTRA NAÇÃO. O BRASIL É DOS BRASILEIROS!
Que respeitem o resultado das urnas. Que respeitem a vontade popular. E que entendam, de uma vez por todas, que a DEMOCRACIA não é uma concessão de quem está no poder. É um direito do povo, conquistado pelo próprio povo.
A vitória merece ser celebrada, mas não nos autoriza a baixar a guarda. Seguiremos atentos, vigilantes e na luta por nossos direitos. Porque a democracia não se defende apenas nas urnas. Ela se constrói e se protege todos os dias!
VIVA A DEMOCRACIA!
VIVA O POVO BRASILEIRO!
VIVA O BRASIL!


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