Prefeito de Cotia tomba provisoriamente a Vila Operária do DAE e reforça luta pela preservação
O conjunto arquitetônico da Vila Operária do DAE, localizado ao lado da Reserva Florestal do Morro Grande, ganhou um novo capítulo na sua centenária história: o tombamento provisório pelo prefeito Welington Formiga. O decreto, assinado no sábado (9/08), impede qualquer intervenção que comprometa a integridade das construções, exigindo autorização prévia da Prefeitura para qualquer obra ou modificação.
A decisão foi anunciada durante um encontro no pátio da UBS do Morro Grande, com a presença de movimentos culturais, sociais e ambientais, além de moradores que há meses lutam para impedir a demolição do conjunto. A mobilização ganhou força depois que cerca de dez casas foram derrubadas pela Sabesp em maio, responsável pela área sob alegação de comprometimento na estrutura.

Patrimônio vivo da história de Cotia
As casas, construídas entre as décadas de 1910 e 1930, abrigaram operários que participaram da implantação de um dos mais importantes sistemas de abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo, a Represa Pedro Beicth. Erguida em estilo Art Déco, a vila era parte de um modelo paternalista de moradia operária, com escola, clube e igreja integrados ao conjunto.
Segundo o prefeito, o tombamento provisório é apenas o primeiro passo:
“Estamos garantindo que a história e a identidade de Cotia não sejam destruídas. Agora, vamos buscar junto ao IPHAN e ao CONDEPHAAT o tombamento definitivo”, declarou Formiga.
Vale destacar que Welington Formiga foi até hoje o primeiro prefeito a se importar com aquele espaço.

Proteção contra pressões urbanísticas
O decreto leva em conta não apenas o valor histórico e cultural do conjunto, mas também a necessidade de resguardar a área contra pressões imobiliárias e impactos ambientais que possam descaracterizar a região. A medida está alinhada ao Plano Municipal de Cultura, que prevê a preservação do patrimônio material e imaterial como dever da gestão pública.
Além disso, a Prefeitura anunciou que pretende desenvolver um projeto de ecoturismo em parceria com o governo estadual, aproveitando o potencial da Reserva do Morro Grande, e apoiar sua inclusão no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).
Por que isso importa?
A vila é mais que um patrimônio arquitetônico — é um símbolo das estruturas sociais do século XX em Cotia. Seu risco de destruição repete um problema recorrente: desprezo histórico pelo patrimônio das classes trabalhadoras. Mas a resistência comunitária, unida ao poder público e cultura participativa, tem protagonismo para virar o jogo.
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Desejos de memória
A Vila do DAE, ganhou um documentário intitulado “Desejos de Memória, A História da Vila DAE e da Reserva Florestal do Morro Grande”, que conta com imagens, documentos e relatos de antigos moradores da Vila Operária do DAE, familiares e moradores atuais do local . O projeto foi idealizado e executado por Damaris Ferreira, Gabriela Carvalho e Vilma Cristina Noseda e teve a parceria do Museu da Pessoa na realização das oficinas de formação em Educação Ambiental e Patrimonial com as professoras da E.M. Vicentina Pires de Oliveira. E foi premiado pelo edital de cultura, Seu Dito da Congada, lançado pela Secretaria de Cultura e Lazer com recursos da Lei Federal Aldir Blanc, em 2020. Vale a pena assistir.



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