O metrô de Cotia sai do papel e vai para o buraco. Eu vi!
Quem mora em Cotia aprende cedo que existem algumas promessas recorrentes.
A duplicação da Raposo.
O trânsito vai melhorar.
E o metrô.
Principalmente o metrô.
Durante anos, a Linha 22-Marrom habitou aquele lugar misterioso onde vivem os grandes projetos brasileiros: entre a planta do engenheiro, o discurso do político e a esperança do cidadão preso no trânsito.
Pois bem.
Nesta semana aconteceu algo curioso.
Pela primeira vez, o metrô deixou de ser apenas uma conversa e virou um buraco.
Sim, um buraco.
No estacionamento do Complexo do Ginásio de Esportes, máquinas começaram a perfurar o solo para a primeira sondagem da futura linha que promete ligar Cotia à Capital.
Pode parecer pouco.

Mas para uma cidade que há décadas escuta falar de metrô, um buraco já é quase uma inauguração. E eu estava lá para testemunhar esse fato junto com o Prefeito Welington Formiga que ficará marcado como o responsável pelo primeiro furo do metrô. E tenho o privilégio de ser assessora de imprensa da Prefeitura de Cotia e poder distribuir essa noticia alviçareira para os colegas jornalistas.
Antes que alguém comece a imaginar vagões circulando, portas abrindo e aquela voz metálica anunciando a próxima estação, vale lembrar que o caminho ainda é longo. Muito longo.
Os técnicos explicam que a sondagem serve para descobrir o que existe sob nossos pés. Areia, argila, rocha, solo mole ou solo duro. Dependendo do resultado, mudam os equipamentos, os custos, os projetos e até alguns detalhes do traçado.
Em outras palavras: antes do famoso tatuzão entrar em operação, é preciso entender exatamente o que a natureza resolveu esconder ali embaixo.
O mais interessante é que esse primeiro furo faz parte de um processo gigantesco.
O projeto prevê quase 30 quilômetros de extensão, 19 estações e a capacidade de transportar cerca de 678 mil passageiros por dia. A promessa é conectar Cotia à região de Sumaré em aproximadamente 42 minutos.
Quarenta e dois minutos.
Quem pega a Raposo Tavares diariamente quase chora ao ouvir esse número.
Ou ri.
Dependendo do grau de trauma acumulado.
O cronograma mais otimista fala em operação por volta de 2040.
O menos otimista… bem, somos brasileiros. Aprendemos a nunca duvidar da criatividade dos calendários de grandes obras.
Fiz as contas.
Quando o metrô começar a funcionar, provavelmente estarei na terceira idade.
Mas existe uma notícia excelente nisso.
Vou andar de graça.
Talvez seja essa a forma que o universo encontrou para compensar décadas passadas observando a Raposo Tavares parada enquanto eu envelhecia lentamente dentro de um carro ou de um ônibus velho e lotado.

Brincadeiras à parte, a sondagem desta semana tem um significado importante.
Ela mostra que o projeto continua avançando.
Recentemente, o estudo ambiental foi aprovado pelo Condephaat. O Metrô também abriu licitação para o Projeto Básico e novas sondagens deverão ocorrer em diversos pontos da cidade.
Ainda faltam audiências públicas, projetos executivos, licenças, recursos financeiros e, naturalmente, uma quantidade razoável de paciência.
Mas existe uma diferença enorme entre uma promessa e uma máquina trabalhando.
A promessa mora no discurso.
A máquina trabalha no mundo real.
E nesta semana, pela primeira vez em muito tempo, o metrô de Cotia fez um pequeno gesto que parece simples, mas não é.
Começou a cavar.
Agora só falta terminar antes de eu precisar apresentar minha carteirinha de idosa na catraca.


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