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Eu, a Raposo Tavares e senta que lá vem história

Já falei várias vezes por aqui que não gosto de dirigir. E gosto de fazer uma pequena adaptação na frase do poeta Milton Nascimento que diz que o artista tem que ir aonde o povo está (nem sei se frase é dele mas está lá em uma de suas lindas canções). O Jornalista também precisar estar aonde o povo está. E usar o transporte coletivo é uma boa opção para isso.

Mas eu moro em Cotia, por aqui o transporte coletivo não é algo do que podemos nos orgulhar.

Uma única empresa atua na cidade há mais de 50 anos com ônibus de má qualidade, e está longe de cobrir as necessidades de ir e vir dos cidadãos.

O transporte alternativo, deixou de ser alternativa há muito tempo, uma vez que disputa o mesmo espaço com a linha oficial, com veículos de má qualidade, cobradores berrando o itinerários nos pontos, motoristas desrespeitando regras básicas de trânsito como usar o celular enquanto dirigem, fazer ultrapassagens perigosas e  desobedecer os limites de velocidade. Sem contar que, com a pandemia, a obrigatoriedade uso de máscara, por exemplo, não é cumprida por eles [os transportadores]  que por sua vez também não exigem isso de seus passageiros. Vale lembrar que transporte coletivo também é o meio de transporte preferido do coronavírus.

E lá fui eu para mais um compromisso. Enquanto caminho pelas ruas do meu bairro, um dos mais bonitos e estruturados da cidade em que moro, [Parque São George], entre um “olá, tudo bem?”, um “boa tarde”, um aceno com a cabeça ou um cumprimento com uma buzina, vou observando a movimentação.

Era o início de uma tarde ensolarada e nesse dia quase que por um milagre não choveu [tem chovido muito desde sei lá quando e há quem diga que o verão brasileiro foi usurpado por forças ocultas do mal, que pairam pelo Brasil desde 2018].

Cheiro de pão na padaria. E na Delegacia [o 2º DP da cidade] era só viatura, dezenas, de todos os tipos. Logo pensei que alguma “treta” estava rolando e meu feeling de jornalista já queria correr para lá. Mas não podia me desviar do meu foco. E afinal, viaturas numa delegacia não é nenhuma novidade. E não gosto de cobrir notícias policiais.

E a Raposo Tavares estava como? Se você falou travada, acertou. Pensando no custo benefício do meu percurso e pelas razões já citadas acima, melhor utilizar um transporte por aplicativo.

O Paulo [motorista do aplicativo] chegou em menos de 3 minutos. A atrapalhada com a porta que ele esqueceu de destravar para eu entrar foi o gancho para quebrar o gelo e engatarmos uma conversa que logo se virou para trânsito da rodovia.

Ele é o tipo meia idade [nunca sei direito quanto é meia idade mas é o que todo mundo diz dos que já aparentam cabelos brancos] que nasceu em Cotia e aqui vive desde sempre. Assim como eu circula pela Raposo desde os tempos em que se fazia piquenique às suas margens [acho que também sou do tipo meia idade].

“A senhora quer saber por que esse trânsito aqui? Por causa daquele retorno ali do 22,8”. Eu complemento lembrando também da mão inglesa que leva para um famoso open mall. “Que só existe por aqui”, complementa o seu Paulo sobre a mão inglesa, “um absurdo aquilo, onde já se viu um negócio daquele, moça?”

E continuou descarregando:

–  “Vou falar pra senhora as coisas que ouço aqui no meu carro, disseram que o governador esteve aqui em Cotia e que e deixou quase R$ 100 milhões para obras de melhoria dessa porcaria de estrada. Cadê a obra que ia começar ano passado?” Aposto que o governador tá esperando as eleições para começar, ele vai ser candidato a presidente não é? Vai querer levar uma vantagem.  E pior que vai ter gente que vai acreditar nessa bobagem. Essa obra não vai sair é nunca”.

Eu disse a ele que era jornalista e que vinha acompanhando essa história [que tá quase virando lenda] desde os primórdios.

JC Churrasco Cotia

– “Dona Sonia, dias desses eu levei um engenheiro no meu carro e ele me disse que tá bem fácil de resolver isso aqui, se os políticos realmente quisessem. Nisso já estávamos chegando no fatídico retorno para acessar a mão inglesa [eu iria para o tal open mall] quando ele apontou. “tá vendo aqui esse retorno, o engenheiro, gente grande, importante, falou que era só eliminar ele e fazer uma outra ponte aqui e tirar a mão inglesa e pronto.”

Eu como sou apenas uma Jornalista, preferi me abster de comentar essa alternativa.

– “A senhora quer ficar onde, dona Sonia?” A essa altura, já estávamos no meu ponto de chegada. “Vai ficar na padaria do portuga?

“Aí não é mais do portuga, agora é outra, sabe aquela padaria lá do 39? Pois é, são eles que estão ai agora também”, disse eu.

– “Mas que legal, eles são muito bons, a melhor padaria da cidade, bom saber”, disse o seu Paulo.

-“Eles são ótimos mesmo, mas eu ainda prefiro a do 39, mas tire o senhor a suas conclusões”, respondi já abrindo a porta para descer.

– “Bom saber, ótima tarde, senhora Sonia”.

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