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Covid: estudo da USP aponta que Cotia só completará imunização em 2023

Com a ameaça de uma nova cepa mais agressiva  do coronavírus chegando da Índia e a possibilidade de uma terceira onda da pandemia no Brasil, o estudo dos cientististas da USP  é ainda mais desolador.  Se o ritmo de vacinação no Brasil continuar como está,  a imunização de toda a população só deve ser concluida em dezembro de 2022. Em Cotia  e cidades de região, a realidade é ainda pior, só em maio de 2023 toda a população terá sido vacinada.

A Plataforma criada por um consórcio de universidades brasileiras faz uma projeção de quando a vacinação contra a covid-19 será concluída no Brasil. Considerando os dados de até a segunda quinzena de maio, se o ritmo de vacinação continuar dessa forma – a passos de formiga,  a previsão é de que a imunização em todo o País seja finalizada em 25 de dezembro de 2022.

O sistema utilizou dados disponibilizados pelo governo federal para obter o ritmo da vacinação em cada cidade e, com isso, projetar quando toda a população já terá recebido todas as doses necessárias do imunizante.

Nos cálculos, foi considerado o ritmo de vacinação dos últimos 30 dias (sempre que ocorre uma nova atualização, o sistema leva em conta os últimos 30 dias passados). Essa previsão é atualizada de acordo com a chegada de novas vacinas, com o aumento ou a diminuição do ritmo de vacinação, além de outros critérios que impactam a aplicação do imunizante, como a falta de insumos (IFA – insumo farmacêutico ativo) para produção de vacinas, número de postos de vacinação e o desejo da população em se vacinar.

O Painel de Vacinação da Covid-19 é aberto e está disponível para toda a população. O usuário consegue obter dados regionais ou totais do Brasil. Para isto, basta selecionar o Estado e a cidade desejados e verá, além da projeção para o fim da vacinação, detalhes sobre doses aplicadas por dia, doses em atraso, demanda diária, vacinação precoce, abandono do esquema vacinal, dentre outros.

Segundo o professor Krerley Oliveira, coordenador do Laboratório de Estatística e Ciência dos Dados, da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), antes dos pesquisadores disponibilizarem essas informações na plataforma, foi preciso remover inconsistências nos dados oficiais. “Na base fornecida pelo governo, existem milhões de dados com problemas. Há dados de vacinados que teriam nascido no século 19, recebido a segunda dose em uma data anterior à primeira, recebido mais de uma dose no mesmo dia, recebido apenas a segunda dose, recebido vacinas diferentes e recebido a vacina antes de 2021, explica. “Com a limpeza, as informações disponibilizadas na plataforma possuem menos erros e são mais próximas da realidade do que as oficiais”, explica.

O governo federal disponibiliza os dados separados por Estado. O estudo se debruçou sobre todos eles e, a partir do arquivo relativo a cada unidade da federação, indicou as inconsistências existentes em cada um. Os detalhes dessas anomalias também estão publicados na plataforma.

Embora os dados oficiais estejam apresentados de forma clara e transparente, há inconsistências que precisam ser corrigidas para não gerar dúvida e insegurança em quem as utiliza e nem afetar o planejamento de regiões ou instituições no combate à pandemia, explica Tiago Pereira da Silva, professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação de São Carlos (ICMC) da USP e pesquisador do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI). A proposta do projeto foi  aumentar a transparência dos dados governamentais e dar acesso à informação, de forma que a plataforma seja uma ferramenta que auxilie munícipios, mesmo os de menor porte, no planejamento da campanha de vacinação.

Dados atualizados em 24 de maio

Com os dados limpos e apresentados de forma didática, o pesquisador acredita que Estados e municípios possam utilizá-los para tomadas de decisões em políticas públicas e combate à pandemia de forma mais adequada. “Imagine que o governo de uma determinada cidade perceba que muitas pessoas não tomaram a segunda dose, por exemplo. Com essa informação em mãos, é possível realizar campanhas de conscientização. A ferramenta pode ser importante também para moradores de cidades pequenas, por exemplo, que não têm muitas informações sobre a vacinação”, diz.

Região só completa a vacinação em 2026

Nas cidades da região o ritmo de aplicação da vacina deve ser ainda mais lento. Em Cotia, por exemplo a projeção é de que só seja finalizada em maio de 2023. De acordo com o gráfico, na cidade são aplicadas uma média de 225 doses por dia (primeira dose) mas o ritmo cai para a segunda dose e a média de 183 doses/dia. De acordo com a última atualização, (24/05), 88% da população ainda não recebeu nenhuma dose do imunizante e apenas 4,94% receberam as duas doses.

Situação semelhante vivem as cidades de Osasco, Vargem Grande Paulista, Embu das Artes e Barueri que devem completar o ciclo de vacinação respectivamente em janeiro, fevereiro, agosto e setembro de 2023. Já em Carapicuíba, a situação é mais alarmante. Se o ritmo da vacinação continuar como está apenas em 2026 toda a população daquela cidade estará imunizada contra covid.

Menos de 5% da população cotiana recebeu as duas doses da vacina

Veja a projeção e balança vacinal de cada cidade AQUI

Intervalo entre as doses das vacinas

Os intervalos entre a primeira e segunda dose das vacinas contra covid-19 variam de uma para a outra. “No nosso painel de vacinação, utilizamos espaços de tempos de segurança fornecidos pelas fabricantes das vacinas. No caso da Pfizer, o intervalo ideal indicado pela empresa é de 21 a 25 dias”, diz o professor Krerley. Para os outros dois imunizantes disponíveis para a vacinação dos brasileiros, os intervalos são de 56 a 84 dias para a AstraZeneca, e de 14 a 28 dias, para a CoronaVac.

O projeto de modelo estatístico foi desenvolvido pela equipe de pesquisadores do consórcio de universidades ModCovid19, do qual a USP mantém a liderança. O grupo é formado pelo ICMC, pelo Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica da Universidade de Campinas (Unicamp), pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada do Rio de Janeiro (IMPA), pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-Rio). O Laboratório de Estatística e Ciência dos Dados da UFAL desenvolveu a plataforma, a estrutura foi do CeMEAI e o apoio, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTI).

(As informações são do jornal da USP)

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