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E Cotia segue sem eleger mulheres para a Câmara

Não foi dessa vez. De novo.

Apesar dos avanços em todo o Brasil a cidade de Cotia teve mais uma eleição sem eleger mulheres no Legislativo. Houve um pequeno avanço, as mulheres se organizaram e se articularam mais e até receberam mais votos, mas, não o suficiente para chegaram lá [na Câmara Municipal]. E estamos prestes a completar 4 décadas de jejum.

No tocante ao percentual de mulheres que se candidataram, em Cotia os partidos mantiveram a cota mínima exigida pela Lei Eleitoral, 30%. Das 356 candidaturas ao legislativo, 107 foram mulheres.

O prêmio de consolação, foi a eleição da vice-prefeita Ângela Maluf, na chapa de Rogério Franco.

O incentivo para mudança nesse quadro na próxima eleição pode ser o avanço pelo Brasil afora.

Os resultados finais das urnas serão consolidados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até sexta-feira (20). Até o momento, dados oficiais mostram que para 12,2% das prefeituras foram eleitas mulheres. Na eleição de 2016 esse número foi de 11,57%.

“Tivemos um aumento ainda não suficientemente expressivo, mas no Brasil há uma curva ascendente na participação feminina nos processos eleitorais. No Congresso Nacional, esse número, que ainda é insuficiente, aumentou para 15%. E nós fizemos uma grande campanha de atração de mulheres para a política”, declarou o Ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE.

De um modo geral, a participação feminina na política já caminha para além do cumprimento da cota obrigatória de 30% reservada pelos partidos. De acordo com a Justiça Eleitoral, no pleito deste ano as mulheres representam 33,6% do total de 557.389 candidaturas, superando o maior índice das três últimas eleições, que não passou de 32%.

Em Cotia, o destaque ficou para a campanha do Mandato Coletivo Feminino do Psol, liderado pela jornalista Carolina Rubinato, que obteve 1052 votos, seguido pela professora Irene Prestes, do PSD, partido do governo Rogério Franco, com 1018 votos.

E só a titulo de comparação [financeira que conta muito em uma campanha eleitoral], a segunda colocada, recebeu R$120 mil  do fundo partidário, segundo consta na página oficial do TSE. A prestação de contas dos candidatos ainda não fechou, mas até o fechamento deste texto, constava que ela gastou R$ 60 mil deste montante. O mandato coletivo por sua vez, recebeu R$ 3. 920,00 do fundo partidário e até o momento declarou que gastou R$ 3.895,00

Diversidade por ai

O alento é saber que  houve uma certa diversidade nas urnas pelo Brasil afora. Na Paraíba, por exemplo, sete mulheres foram eleitas em Campina Grande sendo quem os três primeiros lugares em número de votos também foram de mulheres.

A capital mineira também alcançou a maior participação feminina da história da Câmara de Municipal de Belo Horizonte com 11 mulheres, quase três vezes mais que as quatro atuais. E a presidente Nely Aquino (Podemos) foi reeleita. E vale destacar a histórica eleição de Duda Salabert (PDT),  vereadora trans e a mais votada da história na capital mineira.

A pedagoga e ativista feminista Lola Aronovich celebrou a votação em Florianópolis (SC) pela conquista inédita nas eleições de 2020. “Importante: em 300 anos de história de Floripa, apenas sete mulheres foram eleitas. Mas agora em 2020, cinco vereadoras foram eleitas! Histórico! Duas são assumidamente feministas, anticapitalistas e antirracistas. A Coletiva Bemviver (Psol), com negra e indígena, se elegeu!”, destacou.

Curitiba elegeu a primeira vereadora negra da história da cidade, com 8.407 votos. Carol Dartora (PT) foi a terceira candidata mais votada da capital do Paraná. “Elegemos a primeira vereadora negra em Curitiba, uma cidade que rejeita sua negritude e que agora irá escurecer sua Câmara!”, ressaltou Carol nas redes sociais.

Na cidade de São Paulo, a mulher mais votada para a Câmara de vereadores é transexual. Erika Hilton (PSOL) obteve 50.447 votos. No Twitter, ela comemorou o sexto lugar entre os dez primeiros colocados da capital paulista.

“Mulher preta e trans eleita a vereadora mais votada da cidade! Feminista, antirracista, LGBT e do PSOL. A primeira da história! Com mais de 50 mil votos. Obrigada!”, agradeceu Érika na internet.

Mais participação

Além da cota de 30% de candidaturas femininas, nesta eleição municipal foi a primeira vez que entraram em vigor as novas regras da reserva de, no mínimo, 30% dos fundos eleitoral e partidário e a aplicação do mesmo percentual ao tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão para as mulheres, com a obrigatoriedade dos partidos de fazer a divulgação dessas candidaturas.

Ainda assim, nas eleições deste ano foram 2,5 mais homens que mulheres candidatas para os cargos de prefeita, vice e vereadora no Brasil, somando 370 mil candidaturas masculinas contra 187 mil postulantes do sexo feminino.

(Com informações da Agência Senado)

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