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Gestão: um breve caminho para uma Educação de qualidade

 

Por Marcos Martinez

Já publiquei este texto algumas vezes, em contextos diferentes do que estamos vivendo neste momento. Republico novamente, para propor um caminho de acolhimento dos nossos alunos nestes tempos de pandemia. A volta deles à sala de aula deve ser acompanhada de um diagnóstico pedagógico, para recomeçar o ano letivo de maneira que as perdas não sejam tão grandes. Para recomeçar essa caminhada, que é diferente daquela da volta das férias, sugiro os indicadores das avaliações nacionais e estaduais. Talvez este texto possa ajudar a iniciar uma discussão com qualidade.

Justificar os indicativos de que nossa educação está entre as piores do mundo é muito fácil. Os arcabouços dos indicativos negativos saltam aos olhos de quase todos então é preciso ser especialista em educação para vê-los. Podemos vê-los pelas péssimas estruturas dos prédios escolares. Será esta uma justificativa? Pela dificuldade dos alunos chegarem até as escolas em alguns lugares. Será outro indicativo? Pode ser a frágil formação dos professores ou os péssimos salários que estes recebem. Se este for um dos motivos, seria fácil de resolver? Aumentar os salários e proporcionar cursos de formação. Será que estas ações resolveriam os índices deprimentes da educação brasileira? Outra justificativa corriqueira para justificar esta educação de qualidade ruim é a falta de dinheiro. Será? As secretarias da educação são as únicas da administração pública que têm verba garantida. Elas têm 25% do orçamento e 15% do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Professores da Educação). Será realmente a falta de dinheiro? Deste montante, 60% são para o salário dos professores. Podemos montar um imenso mosaico de indicativos para justificar a ineficiência desta máquina. Pouco adiantaria. É preciso dar o pulo do gato e propor ações que mudem esta situação, para assim sairmos do muro de lamentações em que nos encontramos.

Estas observações não são novidades. A intenção deste texto não é descobrir quem nasceu primeiro, “o ovo ou a galinha”. É propor caminhos que ajudem a sair deste marasmo. Desta sensação de que não tem jeito. Sair deste “ringue de patinação”. O ponto de partida para sairmos desta condição quase letárgica é que se tenha a vontade política do gestor público (Presidente, Governador e Prefeitos). Se não existir esta vontade, aí não anda mesmo. Se não existir esta ambição política destes gestores é como “chover no molhado”. A educação não pode continuar sendo enfeitada com uma leve camada de verniz. A educação não pode ser a protagonista na época da eleição para logo depois ser esquecida, ser tratada com descaso. Outro aspecto negativo é o “plano de educação de faz de conta”. Não passa de ilusão. Não passa de peça publicitária, que nunca vai sair do papel. Então, um passo importante é ter vontade política de fato. Outro passo importante e significativo é conhecer a rede de ensino que é da “responsabilidade” destes gestores. Quem é seu professor? Quem é o funcionário que limpa a escola ou abre o portão da escola? Quem é o secretario da escola? Quem é a merendeira? Quem é seu diretor? Quem é seu coordenador? Quem são os funcionários que estão locados na secretaria da educação? Fica difícil construir um projeto de educação se não conhecemos os sonhos, os desejos e a esperança desta gente.

A palavra “responsabilidade” entre aspas é pura provocação. A “responsabilidade” da educação não é só para quem está no topo da hierarquia, é de todos que participam deste processo que é o ato de educar. O diagnóstico possibilita ouvir, sentir e apontar soluções de quem vive a realidade da escola no seu dia-a-dia. Esta mania de trazer projetos prontos e hermeticamente fechados não funciona. Quantos projetos conhecemos, que foram implantados de cima para baixo e que tiveram vida curta?! Um diagnóstico bem elaborado pode apontar caminhos onde todos se sintam responsáveis e respeitados.A melhoria da educação não é um ato isolado. É um ato coletivo. Os envolvidos têm que se sentir imbricados nesta construção de índices positivos.

Dois passos importantes até agora: vontade política e diagnóstico. O diagnóstico evita que o gestor deixe de ser um apagador de incêndios, pois cada dia tem um incêndio para apagar. Desta forma é impossível fazer educação, e assim, apenas se administra o fracasso. Um esforço imenso para um resultado ínfimo. A exaustão toma conta. Junto, o desânimo. O diagnóstico apresenta soluções e aponta objetivos, metas e breves resultados com a participação de todos os envolvidos. É caminhar coletivamente.

Diagnosticar a rede de ensino é antecipar eventuais problemas e apresentar soluções. Diferente de apagar incêndios. Com estes primeiros passos (vontade política e diagnóstico) pode-se conhecer a discutir um Projeto Pedagógico para a rede de ensino. Caso contrário, estaremos cuidando da educação paliativamente.

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