O vírus e nós. Tensão e medo.

06 de abril de 2020 (do ano que a terra parou)

A pandemia do novo coronavírus já matou mais de 50 mil pessoas na Europa, segundo um balanço da AFP divulgado nesta manhã. Quase 85% dessas mortes aconteceram na Itália, Espanha, França e Reino Unido. Com um total de 50.209 mortos e 675.580 casos oficialmente declarados, a Europa é o continente mais afetado pela pandemia de Covid-19.

No Brasil, são 11,5 mil casos confirmados e  495mortes.

Na minha cidade de Cotia, que completou, no dia 2, 164 anos sem festa, 46 pessoas estão internadas, 31 estão oficialmente infectadas, 3 mortes confirmadas e outras 14 aguardam confirmação se por Covid-19.

Mas sabemos que  esse total, seja em Cotia, no Brasil ou no mundo,  pode ser ainda maior, uma vez que autoridades de saúde reforçam necessidades de se fazer testes para se saber o real espalhamento da Covid-19. Mas eles não realizados e quando realizados os resultados demoram a sair. E com certeza quando você ler esse texto, os números ja terão alterado significativamente.

Sinceramente não tenho ideia de há quantos dias estamos nessa porcaria de isolamento social, talvez uns 20 mas já parece uma eternidade. Nunca agradeci tanto por morar na casa de minha mãe. Não sei o que seria de mim se morasse num desses apartamentinhos de solteiros e estivesse sozinha, sem sair de casa a tantos dias.

E por falar em casa de mãe e justificando o intervalo maior para esse texto em relação aos outros, os dias por aqui não foram fáceis. Angústia talvez seja a palavra que mais se encaixe.

Minha mãe, que já falei dela em outro texto, ficou doente.  Começou de fato com uma “gripezinha” que evoluiu para uma gripe mais forte. Tosse, garganta inflamada, coriza, preocupação… a gota d´água foi o termômetro marcar os 37,5º e partiu pronto socorro do Parque São George.

Embora não tenha sido confirmado a infecção pelo Covid-19, o estado de saúde de dona Laura necessitava cuidados, “pulmão está bem cheinho”, disse a doutora após ver a raio-x. “Observem ela e se tiver cansaço ou falta de ar, voltem imediatamente para cá”, recomendou com uma lista de medicamentos.

Tensão, nervosismo, noites sem dormir, cuidados com higiene, limpeza, isolamento, reforço na alimentação e observação…

Na TV e nos jornais não se fala em outra coisa. Nas redes sociais também não.

O vírus chega cada vez mais perto e com ele tristeza e medo.  Quase todos os dias temos notícias de pessoas próximas que perderam alguém pra ele. É triste, é duro ver amigos chorando, famílias sem poder fazer uma despedida digna de seus entes queridos devido aos riscos de contaminação.

A cidade de Cotia chorou novamente no ultimo dia 3 com a morte do Guarda Civil Rogério Fernandes, que eu também tive o prazer de conhecer e trocar algumas ideias ao longo dos anos de trabalho na cidade. Um sujeito bacana, sempre alegre, otimista, boa gente. Ao sentir mal, foi socorrido pelo colega de De Paula, que por coincidência ou não, deixou esse plano e ainda não é possível saber se foi por causa desse maldito Covid.

Os governos estaduais suplicam aos cidadãos pelo isolamento social. Enquanto isso, em Brasília, o presidente da República… continua sendo a vergonha mundial e indo contra todas as recomendações sanitárias e médicas. E quer resolver com uma canetada, a abertura dos comércios. E agora anda com o ego ferido porque seu ministro da Saúde, Luiz Mandetta caiu no gosto popular e virou o queridinho do Brasil devido seu desempenho nas ações de combate ao coronavírus.

Após uma semana, fim da medicação de minha mãe e ela apresentou melhora significativa e não há mais motivos para grandes preocupações, a não ser as mesmas que já rondam as pessoas da terceira idade, sobretudo as que têm doenças crônicas como o Diabetes.

Seguimos nosso isolamento que ainda não tem data para acabar. Às vezes penso que o que vai acabar é minha paciência.

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