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Projeto de escola cívico-militar traz dúvidas sobre ação pedagógica

O Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares do governo federal visa a “promover a melhoria na qualidade da educação básica do País”, por meio da parceria entre gestores, professores, militares, estudantes, pais e responsáveis. A adesão no programa é voluntária, participam escolas com baixo Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e em áreas metropolitanas de vulnerabilidade, e requer consulta pública na comunidade escolar.

O diretor da  Faculdade de Educação (FE) da USP, professor Marcos Neira, chama a atenção para a falta de informação sobre o projeto. Durante o lançamento do programa, no dia 7 de setembro, o governo anunciou que pretende implementar 216 escolas no modelo cívico-militar até 2023. Em 2020, o plano é implantar 54 escolas. Para isso, serão investidos R$ 54 milhões – ou seja, R$ 1 milhão por escola. Também foi anunciado que o modelo irá abranger as seguintes áreas: didático-pedagógica, educacional e administrativa, sendo que os militares vão atuar nas últimas duas.

Primeiro dia de aulas no CED 01 da Estrutural, uma das escolas públicas do DF onde foi implementado o modelo cívico-militar.

É justamente nessas áreas que estão as dúvidas e questionamentos, principalmente dos profissionais da educação. Neira esclarece que a legislação brasileira restringe o trabalho de gestão escolar para pedagogos, ou professores que tenham mestrado em educação. “São requisitados saberes bastante específicos e, inclusive, tempo de magistério”, conta o diretor, e completa: “É complicado pensar que pessoas que tiveram suas carreiras na área militar consigam fazer isso (atividades na área educacional).”

Para o professor, mesmo o argumento de que os militares trarão “ordem e disciplina” para dentro do ambiente escolar não é válido. Neira explicar que a questão disciplinar também é educacional e, portanto, deve ser desempenhada por alguém com a devida formação.

Ouça a entrevista, na íntegra, no player abaixo

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