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“A verdadeira história do lobisomem”

Quem nunca ouviu seu pai ou seus avós e tios mais velhos contarem histórias ou estórias sobre lobisomem que atire a primeira pedra. Muitos causos e muitas lendas rondam o imaginário popular. Meio homem, meio lobo, ele [o lobisomem] aparece nas noites de lua cheia, como a que está reinando no céu enquanto escrevo essa crônica.

Existem várias versões para a lenda do lobisomem. Uma delas é de que ele surgiu na Europa.  Segundo li por aqui numas pesquisas pela internet, se disseminou a partir do século XVI. Um homem teria sido mordido por um lobo e ficou enfeitiçado. E a partir daí todas as noites de lua cheia se transformaria, adquiria garras de lobo e corpo coberto de pelos e sairia por aí uivando em busca de seu alimento predileto: sangue.

No Brasil, ele foi incorporado ao nosso Folclore, junto com o Saci, a Mula sem cabeça, o Curupira, a Yara e por aí vai. Depende da região do Brasil a lenda sofre alterações.

Mas, a história que vou contar não é uma lenda. É uma história real. É verdade verdadeira. Eu que não vou ousar dizer que minha mãe, minhas tias, tios e meus avós estão mentindo.   O fato é que ele existia, garante a dona Laura minha mãe. Morava ali pelas bandas de Fernandópolis, Indiaporã, Meridiano, Votuporanga… região noroeste de São Paulo, onde até hoje moram meus familiares. Ele era vizinho de meus avós.

Minha mãe e tias, juram que viram o cara meio homem, meio lobo.  Não foi nem uma nem duas vezes que escutamos essa lenda, ops, esta história real aqui em casa. E vou recontar a história que já decorei e meus irmãos também já contaram para meus sobrinhos e creio que eles por sua vez irão contar aos meus sobrinhos netos que com certeza vão rir da bisa deles.

Noite de lua cheia. O ser chega fazendo uma barulheira e uivando no sitio dos meus avós. Todo mundo se escondia dentro de casa. Meu avô Antônio, um caboclo macho e muito respeitado por aquelas bandas, pegava a espingarda pra dar cabo ou ao menos assustar o bicho.

[há uma lenda de que só se pode atirar num lobisomem com uma bala de prata, caso contrário,  também será enfeitiçado]

Minha vó Ana, apaziguadora e claro, com receio de que meu avô passasse a também virar um lobisomem, gritava lá dentro: “ô seu lobisomem amanhã o senhor volte aqui que lhe dou uma barra de sabão!” Às vezes também oferecia sal. E o bicho ia embora.  Vale dizer que, segundo minha mãe, junto com ele viam duas cachorrinhas, que latiam o tempo todo.

Passado o susto, no dia seguinte, lá estava ele, mas dessa vez em formato humano, todo pálido, com aparência estranha, amarelada, maltrapilho. Ia buscar o presente que minha vó ofereceu. E as cachorrinhas vinham juntas; e isso era a prova que precisavam para constatar que se tratava do mesmo sujeito que visitou o sitio na noite anterior com o corpo coberto de pelos, orelhas e dentes grandes, medonho.

Eu e meus irmãos quando crianças, sempre passávamos férias no sitio dos meus avós e eram muito boas, tinha galinhas soltas no terreiro, porcos, vaquinha com leite fresquinho, manga, laranja e outras delicias da roça, aquelas que só as avós sabem fazer. Também subíamos no pé de Ciriguela e era uma guerra contra as galinhas que roubavam nossas frutas. Certa vez, meu primo arrancou uma fruta da boca de uma cobra e foi quando descobrimos que elas [as cobras] eram nossas maiores vilãs e não as galinhas. Mas lobisomem, bom, esse nunca vimos por lá. Ufa!

Algumas imagens da pacata cidade de Indiaporã. Nunca encontrei um lobisomem por lá

Bem, essa é a história (real) da minha família. Mas se fizer umas buscas pela internet, com certeza vai encontrar muitos outros causos, sempre reais, de outros lobisomens por aí. Um deles, estaria em Votuporanga e virou tema de um espetáculo dos músicos Paulo Freire e Danilo Morais, no Sesc Rio Preto, que apresenta a história de um rapaz que se tornou cunhado de lobisomem.

Outra história real estaria em Perúibe, litoral norte de São Paulo. E esse Lobisomem quem jura ter conhecido é minha saudosa prima Ana que prometeu que intermediaria uma entrevista minha com o tal homem- bicho. Confesso que fiquei ansiosa pois seria protagonista de um dos maiores furos do jornalismo brasileiro, “Sonia Marques entrevista o verdadeiro lobisomem”. Mas não será dessa vez, minha prima, infelizmente partiu dessa vida a cerca de um ano.

Mas se alguém aí em Peruíbe conhecer o Lobisomem, por favor entre em contato com esse blog e vou correndo entrevista-lo.

E se você também tiver uma história real do homem-lobo pode escrever aí nos comentários.

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